Edição 03
Mar/Abr
2024

Porto Seguro, o berço do país tropical

Foto: Prefeitura de Porto Seguro

“Neste mesmo dia [22 de abril], avistamos terra! Primeiramente um grande monte, muito alto
e redondo; depois outras serras mais baixas e, mais, terra chã. Com grandes arvoredos. Ao
monte alto o Capitão [Cabral] deu o nome de Monte Pascoal; e à terra, Terra de Vera Cruz.”

(Carta de Pero Vaz de Caminha)

Jary Cardoso

Se o Brasil foi descoberto por acaso ou não, essa é uma polêmica antiga e persistente. O fato é que Pedro Álvares Cabral saiu da rota marítima para a Índia, afastou-se da África e, depois de navegar por cerca de 20 dias na direção sudoeste, avistou o Monte Pascoal.

A esquadra manobrou para o norte margeando a costa e, próximo à foz de um rio (Buranhém), identificou um local avaliado como “porto seguro”, que nos anos seguintes daria origem à vila com esse nome.

Ali mesmo, segundo Caminha, “lançamos âncora” e “avistamos homens que andavam pela praia, uns sete ou oito”. O desembarque, porém, ocorreria mais ao norte, aproximadamente “dez léguas” adiante, onde encontraram outro porto igualmente seguro.

Na praia de Coroa Vermelha, atual município de Santa Cruz Cabrália, os portugueses tiveram contato com os nativos, rezaram missa na presença de um grupo deles e tomaram posse oficial da Terra de Santa Cruz, assim denominada inicialmente.

Hoje, a cidade de Porto Seguro é um dos destinos turísticos mais procurados do país. Muita gente vai em busca de um banho de brasilidade, para ver de perto os locais históricos, saber mais sobre o “achamento” do Brasil e conhecer os costumes dos povos indígenas da região.

Outros dão preferência ao lazer e contam com 90 quilômetros de praias tropicais, opções de passeios e prática de esportes radicais, comidas e badalações. A sugestão é começar pelo centro histórico, que pode ser curtido em poucas horas e a pé.

Marco do Descobrimento – Desde os primeiros anos da colonização, um bloco retangular de mármore, com 2,5m de altura, encontra-se na praça principal da cidade alta. Trazido de Lisboa por uma nau, o monumento sinaliza a posse da terra pela Coroa. O Marco se situa à frente de dois prédios preservados da época colonial, século 18:

Casa de Câmara e Cadeia – Hoje abriga o Museu de Porto Seguro, com exposição permanente sobre os povos nativos e a chegada dos portugueses ao Brasil.

Igreja de N. Sra. da Pena – Está bem preservada e em atividade. Protetora dos artistas, a santa é representada com uma pena de escrever na mão direita e um livro na outra.

Na sequência, a pedida é pegar um transporte para vivenciar um museu a céu aberto.

Marco do Descobrimento, Igreja Matriz Nossa Senhora da Pena e o antigo 
prédio da Casa de Câmara e Cadeia/ Foto: Prefeitura de Porto Seguro
Marco do Descobrimento, Igreja Matriz Nossa Senhora da Pena e o antigo prédio da Casa de Câmara e Cadeia/ Foto: Prefeitura de Porto Seguro

Um passeio onde o Brasil começou

Memorial da Epopeia do Descobrimento – Sua maior atração é a réplica de uma das embarcações da esquadra de Pedro Álvares Cabral, em tamanho natural. Pode-se descer pela escadaria em espiral e visitar seu interior, os cômodos com camas, utensílios, ferramentas de navegação, sacos de areia e canhões.

Onde fica: Praia do Cruzeiro, início da orla norte e a menos de 3 km do centro.

Pinte o rosto e veja o que é arco e flecha

Para completar o roteiro histórico e cultural, é indispensável a ida a uma comunidade pataxó. A Aldeia de Barra Velha, junto ao Parque Nacional do Monte Pascoal, e a Reserva da Jaqueira estão entre as mais procuradas.

A antropóloga Maria Rosário Gonçalves de Carvalho, estudiosa da etnia, chama a atenção para a arte pataxó, expressa nos adereços e até nas armadilhas de caça. Ela recomenda ao visitante que adquira lembranças do artesanato tradicional desse povo – a escolher entre cocares, pulseiras, pentes, colares, tangas. Os adereços garantem a fonte de renda primordial dos indígenas.

Pajé pataxó em ritual na oca, Reserva da Jaqueira/ Foto: Prefeitura de Porto Seguro

A Reserva da Jaqueira são 827 hectares de Mata Atlântica preservados por mais de 30 famílias que mantêm costumes ancestrais. O passeio básico tem a orientação de um pataxó. Na oca do pajé, o visitante obtém informações sobre ervas, plantas e rituais. O roteiro inclui trilha em mata fechada – um destaque são as armadilhas de caça preparadas com arte e astúcia, camufladas na natureza.

Outras atividades: pode-se aprender o tiro com arco e flecha, receber pintura corporal, comer peixe assado em folha de patioba e, no final, pernoitar numa oca.

Onde fica: a 12 km do centro de Porto Seguro, na Rua do Telégrafo, 4.728. Abre às 8 horas.

Passarela do agito – A antiga Passarela do Álcool mudou de nome duas vezes, primeiro para Passarela do Descobrimento e agora é da Cultura, mas continua sendo o lugar mais badalado de Porto Seguro.

Restaurantes, bistrôs, bares, sorveterias e lojinhas, tudo funciona em casinhas coloridas, cabanas e tendas.

Arraial d’Ajuda, o destino mais acolhedor do mundo

Foto: Prefeitura de Porto Seguro

Pergunta lançada on-line, em julho de 2023, a 27.730 adultos de 33 países e territórios: “Nos seus planos de viagem de lazer ou a negócios durante o ano de 2024, onde pretende descansar e recarregar as energias?”

Dois terços dos viajantes (66%) deram a mesma resposta:

– Arraial d’Ajuda, em Porto Seguro, Bahia, Brasil!

A pesquisa, realizada anualmente pelo site internacional Booking.com, especializado em reserva de acomodações, apontou pela primeira vez uma localidade brasileira como a mais acolhedora do mundo – pelo seu “compromisso com a hospitalidade e a excelência nos serviços”. Arraial d’Ajuda deixou para trás Ermoupoli, na Grécia (2º lugar), Viana do Castelo, em Portugal (3º), Daylesford, na Austrália (4º), e Grindelwald, na Suíça (5º).

Quem já frequentou o 1º colocado nesse ranking espalha sua fama. Se depois de passar pela agitação da Passarela de Porto Seguro, o visitante pegar uma balsa no final da mesma avenida, em 10 minutos estará usufruindo de um ambiente oposto, calmo e sereno, bem em frente, na outra margem do Rio Buranhém. Encontrará ruas mais preservadas do que no centro da cidade, boa infraestrutura e praias muito bonitas, como a do Mucugê.

O acesso à Praia do Mucugê é fácil. A partir do centro do Arraial d’Ajuda, siga de carro ou a pé, tome a Rua do Mucugê e desça 1,5 quilômetro até a praia. Aí é só cair nas águas cristalinas de suas piscinas naturais ou praticar esportes radicais, como windsurf e kite.

O lugar preferido pelos turistas de todo o mundo. Onde a natureza habita/ Foto: Prefeitura de Porto Seguro
O lugar preferido pelos turistas de todo o mundo. Onde a natureza habita/ Foto: Prefeitura de Porto Seguro
Piscinas naturais, banhos de pura energia/Foto: Prefeitura de Porto Seguro

Estando no Arraial, o visitante bem disposto poderá caminhar pela orla, na maré baixa, por 13 km até chegar a Trancoso e curtir suas praias paradisíacas, falésias e rios. E no centro da localidade, está o famoso Quadrado, muito procurado para casamentos e lua de mel.

Outro caminho para Trancoso é de carro: saindo do centro de Porto Seguro, a viagem dura cerca de 1h30, via balsa e estrada.

Jary Cardoso, jornalista e escritor

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