Edição 03
Mar/Abr
2024

Marcela Bellas

Acontece que sou baiana

A dona da voz

Ela não é uma iniciante, com uma voz bonita, em início de carreira. Marcela Bellas já é uma cantora e compositora experiente, segura, com inúmeros trabalhos de qualidade realizados onde coloca o seu timbre, doce e singular, cada vez com mais maestria. Ela é danadinha.

Com muita força, coragem de arriscar e uma enorme capacidade de trabalho, Marcela já conquistou o seu lugar na nova geração da música brasileira, mas não para de buscar novos parceiros, novas experiências. Embora não tenha divulgado oficialmente, sabe-se que, nesta primavera, Marcela está empenhada no projeto de um disco novo, que deverá vir a público no verão, com os consagrados compositores Edu Casanova e Tenison Del Rey.

Nas suas andanças, com suas canções pops, românticas e até dirigidas ao universo infantil, como fez no show “Playgrude”, Marcela já cantou e dividiu o palco com artistas como Elza Soares, Emicida e Arnaldo Antunes. E tem composições gravadas pelo conterrâneo Saulo, por Júlia Bosco, do Rio de Janeiro, Juliana Sinimbu, do Pará, Talita Avelino e Mão de Oito, de São Paulo.

Coisa do destino

Um dos momentos mais marcantes da carreira de Marcela Bellas foi o disco “Undergrude”, feito com Helson Hart e Jorge Papapá, dois importantes compositores baianos da atualidade.

Helson acha que a sua parceria com Marcela foi coisa do destino. O encontro aconteceu por intermédio de uma amiga comum, a DJ Adriana Prates, numa rave no Clube de Engenharia da Bahia, sob a luz néon dos spots e dos byts de Mauro Telefunk Soul. Conta que daí surgiu “Quando o Samba Quer”, a primeira música que fizeram juntos para o EP “Leve”, o de lançamento da carreira de Marcela.

Mais tarde, Bellas gravou também “Poesia Barroca e Música Baiana”, um trabalho de altíssima qualidade, no qual Helson Hart musicou oito poemas de Gregório de Matos, o Boca do Inferno, que considera “algo maior do que tudo que existe”.

Marcela Bellas – complementa Helson – tem uma dimensão clara dentro da música baiana e, para mim, é uma cantora grande, que coloca emoção em cada nota. “Ela faz com que o nosso estranho amor seja menor do que o tamanho que ela é como cantora”, brinca.

O jeito e o timbre

Jorge Papapá, compositor com Sergio Passos da música “Deixo”, um dos maiores sucessos da baiana Ivete Sangalo e um dos três criadores do disco “Undergrude”, também elogia o trabalho e a trajetória de Marcela Bellas.

Ele conta que, antes de conhecer Marcela, já admirava o seu trabalho porque ouvia na internet e passou a gostar do seu canto, do seu jeito de cantar, do timbre da sua voz. Ela tem um canto muito específico, diz Jorge, que complementa: “e tem um trabalho diversificado porque gosta de dividir parcerias com vários artistas, vários compositores, isso é uma coisa legal”. Papapá é de opinião que a junção de Bellas e Hart “foi uma coisa maravilhosa porque ele é um autor espetacular, e isso enriqueceu muito a obra dela”.

Danadinha

Conheça o poema de Gregório de Matos musicado por Helson Hart e interpretado por Marcela Bellas, temperado com o swing baiano. Eles acrescentaram “Danadinha” ao texto original.

Há coisa como ver um paiaiá

Mui prezado de ser Caramuru

Descendente do sangue de tatu

Cujo torpe idioma é Copepá.

A linha feminina é Carimá

Muqueca, pititinga, caruru,

Mingau de puba, vinho de caju

Pilado num pilão de Pirajá.

A masculina é um aricobé,

Cuja filha Cobé, c`um branco pai

Dormiu no promontório do Passé.

O branco é um Marau que veio aqui:

Ela é uma índia de Maré:

Cobepá, Aricobé, Cobé, Paí.

2 Responses

  1. Fico feliz de ver a produção musical de Jorge Papapá atravessando gerações. Grande abraço de Parahyba de Medeiros e demais amigos aqui de Fortaleza!!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Também

É primavera no sertão de Conselheiro. Para os que pensam que a primavera só existe nas regiões onde o verde é um eterno aliado do cenário, um aviso: aqui pelas bandas do Raso da Catarina, onde Lampião reinava e Antônio Conselheiro comandava as massas, os mandacarus já estão florando.
Saiba como fazer a tradicional Canjica, um dos pratos preferidos na farta mesa junina da Bahia, onde não pode faltar, milho cozido, amendoim, cuscuz, pamonha, munguzá, bolo de milho ou de aipim, um bom licor
O navio italiano Principessa Mafalda naufragou defronte à costa de Porto Seguro sepultando 382 pessoas nas águas do Atlântico
Faz 200 anos. Veja a seguir, as histórias das principais batalhas, a origem dos festejos e do orgulho baiano pela vitória na luta que consolidou a Independência do Brasil. A cada 2 de Julho, Salvador reveste-se de cores fantásticas para festejar o dia em que o povo venceu.